LESÕES MUSCULARES

Por César A. de Q. Martins, Médico Ortopedista, área Cirurgia do Joelho, Medicina do Esporte Pesquisador da Universidade de Pittsburgh – EUA

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As lesões musculares são muito comuns na medicina e fisioterapia desportiva, compreendendo cerca de 10% a 30% das lesões no esporte (Lewin,1989).

Os principais tipos de lesões musculares são as contusões e as distensões da unidade músculo-tendínea.

Existem ainda, condições clínicas resultantes de trauma ou patologia muscular como: contraturas musculares (encurtamento ou retração da pele, fáscia, músculo ou cápsula articular levando a restrição da mobilidade ou flexibilidade normal da estrutura acometida); espasmos musculares intrínsecos (contração prolongada em resposta a alterações metabólicas e circulatórias locais); contraturas reflexas (contração prolongada do músculo em resposta a um estímulo doloroso causado pela lesão primaria, tem por objetivo resguardar a área lesada); fraqueza muscular; aderências músculo-tendíneas e retrações cicatriciais (formação de fibrose). 

Contusão é uma lesão devido a um trauma direto, levando ao amassamento de tecidos moles. A gravidade dependerá da força de impacto e do local acometido. Isto resultará em uma ruptura vascular, sangramento intermo, edema, irritação tecidual e processo inflamatório local. Nas contusões de grande porte, há formação de hematomas extensos que poderão ficar coletados entre as fáscias conjuntivas, comprimindo assim estruturas vizinhas. 
A distensão da unidade músculo-tendínea é definida como lesão provocada por um alongamento excessivo, levando a ruptuta de algumas fibras musculares ou até mesmo do músculo por inteiro. O ponto mais comum de ocorrer a lesão é na região de maior fragilidade da unidade músculo-tendínea no momento do traumatismo, porém o local mais comum é a junção músculo tendínea.O ventre muscular, o tendão e as zonas insercionais (entésio) também estão sujeitos a este tipo de lesão. O músculo quadríceps femoral é normalmente o local que mais sofre este tipo de lesão (figura 1). 

Figura 1 - mostrando ruptura do músculo reto femoral.

As principais causas são: desequilíbrio muscular; flexibilidade precária; déficit no preparo físico; estiramento excessivo; treinamentos deficientes; overtraining; fadiga ou sobrecarga muscular; contração muscular violenta e rápida contra uma grande resistência.

As distensões são classificadas segundo o grau de intensidade, comprometimento tecidual e dano muscular sendo grau 1 de  o mais leve (rupturas teciduais pequenas), Grau 2 (comprometimento macroscópico das fibras com laceração de um número moderado de fibras) e Grau 3 , o mais grave sendo a ruptura total em um ponto da unidade músculo tendínea ( figura 2) .

Figura 2- observamos o aspecto posterior do joelho direito com a simulação de uma lesão no músculo semitendíneo.

A reabilitação em casos de lesão muscular tem por objetivo reverter o quadro e capacitar o indivíduo ao retorno funcional o mais breve o possível, além de evitar riscos de novas lesões.

O tratamento fisioterapêutico é dividido em três fases baseadas nas fases de cicatrização do tecido, sendo:

1ª fase – inflamatória aguda (duração: aproximadamente 3 dias): a ruptura de fibras colágenas e vasos sanguíneos levam a hemorragia e a liberação de fatores inflamatórios. Há formação de edema e aumento da intensidade dos sinais inflamatórios, além de incapacidade funcional.

2ª fase – reparação tecidual proliferativa (duração: aproximadamente 3 semanas): a reparação tecidual se inicia durante as primeiras 24 horas e se intensifica após o 3º dia pós trauma. Há um aumento da produção de fibroblastos que estarão infiltrando-se nos tecidos lesados. Sua principal função é sintetizar fibras colágenas que estão sendo depositadas aleatoriamente. Paralelamente a isto, há neoformação vascular e aumento da remoção das células mortas e vasos sanguíneos (macróofagos).

3ªfase – remodelação tecidual cicatricial (duração: alguns meses, podendo chegar a 1 ano): nesta fase a área já está cicatrizada e os sinais clínicos bastante diminuídos, porém o tecido neoformado encontra-se desalinhado e estruturalmente desorganizado, com pouca força de tensão. A capacidade de resistência tecidual aumenta proporcionalmente ao realinhamento das fibras colágenas.

Os objetivos do tratamento fisioterapêutico são: analgesia; redução do edema; controle do processo inflamatório; restaurar amplitude de movimento, força muscular, resistência e flexibilidade; recuperação de agilidade; reabilitação proprioceptiva; retorno ao esporte; orientações preventivas.

As condutas de tratamento, segundo cada fase seriam:

1- FASE INICIAL: da língua inglesa PRICE (protection; rest; ice; compression; elevation) compreendendo proteção, repouso, “ice” gelo local, compressão local e elevação. Posturas que promovam relaxamento da região afetada e estruturas adjacentes; repouso; uso de imobilizadores (bandagens funcionais); ultrassom; exercícios passivos; Terapia Aquática; e orientações para casa. Devem-se evitar movimentos ativos na área afetada.

2- FASE INTERMEDIÁRIA: nesta fase o reinicio do movimento local; a descarga de peso sobre o membro afetado e o ganho de amplitude de movimento de verá ser controlado conforme a dor do paciente. Com a melhora do processo inflamatório, e diminuição do edema local deverá ser incentivado a movimentação ativa através de exercícios isométricos contra resistência progressiva, alongamentos adequados; mobilizações para a restauração da capacidade funcional , ultrassom; crioterapia; início de exercícios de propriocepção e terapia aquática.

3- FASE FINAL: Deve-se trabalhar o ganho de elasticidade; intensificar os alongamentos ativos; exercícios isotônicos e isocinéticos; exercícios de FNP (KABAT); coordenação neuro muscular; treino proprioceptivo (prancha de equilíbrio e cama elástica); agilidade e treino do gesto esportivo.

A reabilitação das lesões musculares é muito importante, porém no atleta a melhor conduta é a prevenção, feita através de orientações adequadas de treinamento e preparo físico, incluindo trabalho postural e de conscientização da importância do aquecimento e alongamento globais no início e término de um jogo ou treino. Observar também a carga e o “overtraining” que podem ser deletérios para a boa recuperação do atleta.

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