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O Futuro das Lesões das Cartilagens Articulares do Joelho

Por Cesar A. de Q. Martins, Médico Ortopedista, área Medicina do Esporte
Pesquisador da Universidade de Pittsburgh – EUA
Médico do Hospital Ortopédico de Passo Fundo

 

Lesões do joelho são muito frequentes nos atletas praticantes das diversas modalidades desportivas. Dentre estas lesões destacam-se as das cartilagens articulares do joelho. As cartilagens podem ser divididas em menisco e cartilagem de cobertura das estremidades ósseas permitindo o deslizamento suave de um osso contra o outro (figura).

Esportes de recreação ou competitivos que requerem o movimento de pivô do joelho (giro com o pé apoiado no chão) tais como o futebol, basquetebol e certas modalidades de atletismo, têm sido associados a estas lesões.

Estas lesões podem resultar em importante déficit funcional e diminuem potencialmente o nível de performance de um atleta e caracterizam-se por serem desafiadoras para o médico do esporte, devido à pobre capacidade de cicatrização de suas células cartilaginosas , os condrócitos. A atuação precoce no diagnóstico e tratamento destas doencas são de vital importância para uma recuperação rápida dos atletas acometidos por tais afecções.

 Infelizmente há limitadas informações em relação às lesãos das cartilaginosas do joelho e o tempo de retorno destes atletas ao esporte.  Sabe-se que durante o gesto esportivo pode-se  sentir um barulho  quando há lesão no menisco.  Muitas pessoas, ainda, podem continuar caminhando após a lesão. Com o passar de 2 a 3 dias a articulação vai gradualmente se tornando rígida e inchada podendo haver certa rigidez ao movimentar  e a sensação de que o joelho está “trancado”  (não muito específica para lesões cartilaginosas) e também uma limitacao na amplitude do movimento.

Se há um fragmento de menisco e este não se soltou dentro da articulação, a articulação se apresentará bloqueada, e ao caminhar ou correr, com o pé batendo no chão, a articulação se tornará instável e a dor aumentará.

O tratamento objetiva aliviar a dor e melhorar a função da articulação, permitindo assim aos pacientes realizar as atividades de vida diária de modo confortável e ainda pode,  potencialmente,  manter or retornar a um nível mais alto de atividades. Porém se o tratarmento não for realizado precocemente esta articulação apresentará alterações degenerativas (desgaste da junta) em diferentes graus.

Durante este período de estudos no departamento de Ortopedia – Cirurgia do Joelho, sob supervisão do Dr Freddie H. Fu, nos EUA, fiz parte das pesquisas relacionadas á restauração da cartilagem articular com terapia genética.

 A terapia genética visa alterar os condrócitos em sua estrutura molecular através da mudança nos genes presentes nesta estrutura.  A mudanca genética promove o reparo da cartilagem articular ou previne sua rápida degradação, uma vez que já esteja danificada.

A injeção de adenovirus associada a um marcador (adeno-associated virus) tem sido amplamente pesquisada com o objetivo de criar uma célula cartilaginosa resistente à degeneração.  Porém, o uso desta técnica se limita às pesquisas de alto nível, ainda não disponíveis para o uso nos pacientes.

Em uma publicação cientifica observou-se que, mesmo com o tratamento correto, os joelhos podem apresentar severo desgaste de sua cartilagem e limitação da função articular em 10 anos do trauma inicial. Assim, a partir do momento que as alterações na estrutura da cartilagem se instalaram, uma articulação artificial poderá ser indicada (prótese do joelho).

Desta forma, é de crucial importância que se procure o atendimento do médico do esporte de forma répida para que se diminua a probabilidade de uma artrose (desgaste) e suas possíveis complicações.

Figura demonstrando anatomia da articulação do joelho. A cartilagem articular que reveste as extremidades ósseas permite o deslizamento entre um osso e outro. Os meniscos são estruturas importantes na absorção do impacto.