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Canelite ou Síndrome do Estresse Medial da Tibia

Epidemiologia
Canelite, ou síndrome do estresse tibial medial pode ser descrito como uma entidade clínica caracterizada por sensibilidade difusa na região póstero-medial da porção distal da tíbia.  Nos casos leves, a dor aparece apenas com o exercício; em casos mais graves, dor pode ocorrer em repouso.  A canelite  pode ocorrer em 12% a 18% das lesões na corrida e em 4% de todos os recrutas militares em treinamento básico. As mulheres são mais freqüentemente afetadas do que os homens.
A canelite é a patologia também apresentada como uma periostalgia tibial póstero-medial ou como uma tendinopatia ao longo da inserção da musculatura do tibial posterior ou do sóleo.

Fatores Predisponentes
Forças aumentadas em valgo dos pés e pronação (arco “caídos”dos pés) excessiva que resultam em aumento da contração excêntrica dos músculos sóleo e tibial posterior são predispõe ao aparecimento desta patologia. Os fatores intrínsecos que podem aumentar as forças em valgo e pronação incluem anteversão femoral, joelhos varos (joelhos “cambotas”), tíbia ou antepé varo, e um ângulo Q (quadriciptal) excessivo. Outros fatores intrínsecos ligados à síndrome do estresse tibial medial  podem incluir pés planos excessivos ou cavos, coalizão tarsal (mal-formação dos ossos do tarso) e hiperpronação do antepé. A desigualdade do comprimento dos membros inferiores e desequilíbrios musculares também podem ser encontrada nos atletas portadores desta doença. Já os fatores de risco extrínsecos incluem uso de calçado impróprio, uma transição rápida no treinamento, aquecimento inadequado, corrida em terreno desnivelado ou superfícies duras, baixa ingesta de cálcio e corrida nos locais de clima frio.

Exames
Síndrome do estresse tibial medial deve ser diferenciada da fratura por estresse e da síndrome compartimental do exercício. Apesar de se apresentarem como diferentes entidades, elas podem coexistir. Deve ser enfatizada a avaliação clínica para nortear o diagnóstico desta patologia. As radiografias são negativas (exceto em casos de fratura por estresse prévia ou coexistente). A cintilografia óssea irá demonstrar atividade característica linear e verticalmente ao longo do periósteo da tíbia, o que difere do aumento da captação do radiofármaco de forma fusiforme mais focal que é exibido nas fraturas por estresse.

Tratamento
Todos os déficits da cadeia cinética devem ser corrigidos.  A aplicação de compressão pode proporcionar o alívio sintomático.  Terapia operatória com a fasciotomia posterior tem sido  descrito como um procedimento para o atleta com limitações graves da atividade física, nos casos de recorrência ou quando não há resposta ao tratamento clinico. O tratamento cirúrgico para periostalgia não é uniformemente bem sucedido e deve ser reservado para sintomas que não responderam ao tratamento por pelo menos 6 meses.
Detmer (1986) propôs uma classificação para a síndrome do estresse tibial medial com base na etiologia. Tipo I incluindo fraturas locais de estresse ou reação de estresse da tíbia; tipo II periostite / periostalgia por elevação do periósteo e; tipo III síndrome compartimental do exercício no compartimento posterior profundo.  O tratamento tem sido proposto baseado nesta classificação, sendo que o tratamento de escolha no tipo I é sempre clínico e tipos II e III pode ser cirúrgico caso não houver melhora do quadro doloroso.
AINEs e as modalidades de terapêutica anti-inflamatória (iontoforese  e ultrassom) podem ser auxiliares úteis na  reabilitação  da síndrome do estresse tibial medial. O reforço muscular e o programa de flexibilidade deve ser iniciado com o objetivo de corrigir eventuais desequilíbrios musculares. A flexibilidade do gastrocnêmio-sóleo deve ser enfatizado, bem como o reforço  concêntrico e excêntrico, incluindo os intrínsecos do pé,  dorsiflexores, flexores plantares, inversores, eversores e glúteos. 

Galbraith e Lavallee, Curr Rev Musculoskelet Med, 2009.

 

Figura demonstra a localização da dor na face póstero-medial da tíbia.